O Tribunal do Júri de Taguatinga vai julgar o caso de Lidiane Paula de Souza, assassinada em 23 de dezembro de 2025. O TJDFT pronunciou o ex-companheiro da vítima, Leandro Rodrigues dos Santos, de 44 anos, conhecido como “Baiano”, por feminicídio com requintes de extrema crueldade. A data do julgamento ainda não foi definida.
Segundo a denúncia do MPDFT, o crime aconteceu na madrugada, na QNL 16. Um policial relatou em depoimento que testemunhas ouviram a vítima, que vivia em situação de rua, dizer: “Baiano, não faz isso, eu te amo”. Quando a PMDF chegou ao local, após ser chamada por moradores, encontrou o corpo já decapitado.
Com as informações passadas pelos vizinhos, equipes de Rádio Patrulhamento, do Gtop e da inteligência da PMDF montaram um cerco na região. O acusado foi preso minutos depois, ainda com sangue nas mãos e nas roupas.
A prisão ocorreu poucas horas após ele ter sido detido pela própria Polícia Militar, flagrado com uma faca. Na ocasião, assinou um TCO e foi liberado. Livre, ele conseguiu o facão usado no crime.
O assassinato aconteceu apenas 11 dias depois de o réu ter sido condenado, pelo Juizado de Violência Doméstica de Taguatinga, a 2 anos e 7 meses de reclusão e 5 meses de detenção por agredir e ameaçar Lidiane. Nos autos, constava que ele prometia “picá-la” com facas. Apesar da sentença e da renovação das medidas protetivas, a prisão preventiva foi revogada. Para o MPDFT, a liberdade permitiu que o agressor voltasse a procurar a ex-companheira para cumprir as ameaças.
Ao assinar a pronúncia, o juiz destacou que a materialidade do crime e os indícios de autoria eram fortes. A decisão se baseou nos relatos dos policiais e nos laudos periciais. O magistrado manteve a prisão preventiva do acusado para garantir a ordem pública.
Com a pronúncia, o réu responderá perante o Conselho de Sentença por três qualificadoras: crueldade, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio em contexto de violência doméstica, praticado durante a vigência de medidas protetivas. A defesa de Leandro informou que vai apresentar os argumentos de mérito no plenário do Júri. O réu permanece preso. Se condenado, pode pegar de 12 a 30 anos de reclusão.
Violência doméstica no Distrito Federal
Casos de feminicídio têm sido registrados com frequência no Distrito Federal. Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que a maioria das vítimas era agredida antes do crime. Medidas protetivas são concedidas, mas nem sempre impedem novas agressões. O caso de Lidiane Paula de Souza é um exemplo de como a revogação da prisão preventiva pode permitir que o agressor volte a atacar.
