Bill Gates disse a parlamentares americanos que recebeu ameaças “veladas” do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein relacionadas a seus casos extraconjugais, segundo uma transcrição de seu depoimento divulgada na terça-feira (23).
O cofundador da Microsoft prestou depoimento a portas fechadas em 10 de junho ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes sobre sua relação com o financista americano, que morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por crimes sexuais. Em 2008, Epstein havia sido condenado por solicitar serviços de prostituição de uma menor.
Segundo a transcrição, Gates afirmou que Epstein parecia tentar usar informações sobre seus relacionamentos extraconjugais para mantê-lo próximo quando ele já buscava se afastar.
“Não fui chantageado, mas, ao ler esses e-mails, parece que as ideias do senhor Epstein caminhavam nessa direção”, afirmou Gates, referindo-se a documentos do caso divulgados pelo Departamento de Justiça em janeiro.
“Ele nunca me enviou nada que eu classificasse como chantagem”, acrescentou.
Reuniões e encontros
Gates também detalhou os encontros que teve com Epstein ao longo dos anos. Ele disse que se encontrou com o financista em várias ocasiões, incluindo jantares em sua casa em Nova York. O bilionário afirmou que as conversas tratavam principalmente de filantropia e questões globais de saúde.
O depoimento faz parte de uma investigação mais ampla do comitê sobre as relações de Epstein com figuras públicas. Gates já havia admitido publicamente que se encontrou com Epstein, mas disse que foi um erro de julgamento. A amizade entre os dois começou após o divórcio de Gates com Melinda French Gates, em 2021.
A transcrição do depoimento foi divulgada após solicitações de transparência sobre as investigações envolvendo o falecido criminoso sexual. O caso de Epstein continua gerando repercussões, com várias figuras públicas sendo questionadas sobre seus vínculos com ele.
